- PORTUGESE
/ Brasilian
- © A Gazeta,
06/04/2007
- Gisele
Arantes
- (Intervista con
Caetano Veloso)
- Existe algum
movimento por parte de algum diretor para fazer um
documentário a seu respeito, a exemplo do que
foi feito com Maria Bethânia em duas
ocasiões ("Música é Perfume" e
"Pedrinha de Aruanda",
recém-lançado)?
- O mesmo diretor que
fez o primeiro filme da Bethânia (o
suíço Georges Gachot, que fez o
documentário "Música é Perfume",
sobre a cantora) quer fazer um documentário
sobre mim. Ele já veio duas vezes da Europa ver
o "Cê". E eu adoro ele, porque eu adoro aquele
filme da Bethânia. Acho a coisa mais linda desse
mundo. Mas acontece que tem um filme que está
quase pronto, dirigido pelo Fernando (Andrade), um
menino de São Paulo. Ele iria fazer um DVD de
"A Foreign Sound", mas acontece que nunca foi feito.
Então, os extras que ele vinha filmando para o
DVD ele transformou em documentário. Como tem
esse filme, e ainda não está pronto,
começar outro com Gachot eu achei meio confuso.
Então, eu falei com Gachot para deixar para um
outro período. Ele ficou meio assim, mas
entendeu. Ele é um querido. O filme do
Andrucha, esse agora, é muito bom também
("Maria Bethânia", de Andrucha Waddington, que
enfoca a cantora, Caetano e a mãe deles). Tem o
que o do Gachot não poderia ter, mais tempo,
mais intimidade.
Mas
o do Gachot tem uma coisa que dificilmente algum outro
teria, é de uma musicalidade aquele filme.
Bethânia nunca foi tão musical na vida
dela como nesse filme. Ela está mais musical,
está incrivelmente musical, cantando mais
bonito do que em toda a vida dela.
-
- © Dario do
Nordeste, 9/4/2007
- "Eu adoro o
"Música é Perfume", do Georges Gachot,
acho lindíssimo, muito musical".
- CAETANO
VELOSO
-
- © O Povo,
16/03/2007
- online--->
- pdf--->
- TV E
DVD
- Estrela da
canção
- Maria
Bethânia como você nunca viu. A intimidade
musical da cantora é mostrada em Maria
Bethânia: Música é Perfume,
dirigido pelo francês Georges Gachot
- Mesmo considerada
uma das intérpretes mais aclamadas da sua
geração, pouco (ou quase nunca) se
vê Maria Bethânia em programas dominicais
de televisão, talk shows ou em capas de
revistas de celebridades. Despojada de
afetações, a artista conduz a carreira
de mais de 40 anos com integridade irreparável
e prefere reservar-se à intimidade. Talvez
resida aí o grande prazer de descobri-la mais
de perto e vê-la em pleno domínio do seu
ofício no documentário Música
é Perfume, dirigido pelo francês Georges
Gachot. O cineasta consegue superar a famosa
aversão da cantora às câmeras e
mostrá-la à vontade, em prosa e em
verso. O próprio título do filme vem de
um dos depoimentos da cantora. "Música é
uma coisa que é como perfume. É
imediato. É sensorial", diz.
-
- Semelhante ao
esquema de um making off de DVD, o filme focaliza o
processo criativo da cantora, ao alternar cenas dos
ensaios e da turnê do disco Brasileirinho com as
gravações do CD Que falta você me
faz, um tributo ao poeta Vinícius de Moraes,
realizado em 2005, além dos depoimentos de
familiares, como a mãe Dona Canô e o
irmão Caetano Veloso, e amigos e parceiros,
como Chico Buarque de Holanda, Nana Caymmi, Gilberto
Gil e o diretor artístico Jaime Alem. Diretor
de Martha Argerich, Conversas Noturnas, um de seus
documentários mais clássicos, Gachot
busca contextualizar a história
artística de Bethânia no Brasil. Talvez
pelo próprio olhar estrangeiro do cineasta
francês radicado na Suiça, há uma
tentativa de compor uma ligação entre
imagens do cotidiano e das paisagens do Rio de
Janeiro, de Salvador e de Santo Amaro, interior da
Bahia, terra natal da cantora, com o repertório
calcado em sambas canções, serestas e
canções românticas.
-
- Narrado pela
própria Bethânia, o filme capta toda a
elegância da cantora, seja numa conversa com os
músicos, no jeito como move as mãos ou
no magnetismo da performance no palco. É - sem
exagero da palavra - um deleite. Melhor ainda é
vê-la interpretar, entre outras
canções, Negue, (Adelino Moreira e Enzo
de Almeida Passos), O que tinha de ser(Vinícius
de Moraes e Antônio Carlos Jobim), Olhos nos
olhos (Chico Buarque de Holanda), Tarde em
Itapoã (Vinícius de Moraes e Antonio
Pecci Filho) e Luar do sertão (João
Pernambuco e Catulo de Paixão Caerense). Entre
uma conversa e outra, Bethânia relembra
traços da infância, como os primeiros
exercícios de concentração quando
brincava de faquir no alto das árvore com o
irmão mais velho Caetano, o que significava
ficar lá sem fazer nada, por horas a fio, e
fala da maneira como lida com a música. Ela
revela, por exemplo, que costuma telefonar para
compositores, como o fez com Gonzaguinha e
Vinícius de Moraes, para sugerir mudança
na letra das canções. "Há certas
palavras que eu não digo, e não
há quem me faça dizer. Pode ser uma
música de Chico Buarque de Holanda, que eu
venero, mas não vou dizer", afirma.
-
- O
documentário culmina com a
confirmação da idéia da
própria Bethânia ("nada como um cheiro ou
uma música para nos fazer sentir, viver,
lembrar"), ao cantar Melodia Sentimental (Heitor Villa
Lobos e Dora Vasconcelos). "A voz mora em mim, mas
não sinto como se fosse minha. É uma
expressão de Deus, uma fagulha", diz a cantora.
Para quem perdeu no último domingo, hoje
à meia-noite o canal GNT exibe mais uma vez o
documentário, também disponível
em DVD pela gravadora Biscoito Fino.
-
- SERVIÇO
- Música
é Perfume - O documentário sobre Maria
Bethânia pode ser conferido hoje, à
meia-noite, no Canal GNT (reprise). O DVD custa, em
média, R$ 50.
-
- Dia
Internacional da Mulher é lembrado nas
TVs
- © O GLOBO
ONLINE, 8.3.2007
- --->
Online
(Gazeta do Povo)
- Nesta quinta-feira
(8), o Dia Internacional da Mulher dá o tom da
programação das emissoras de TV, abertas
ou a cabo. Programas vão homenagear o sexo
feminino em suas pautas, que vão desde os
efeitos do doce preferido das mulheres - o chocolate -
a entrevistas com personalidades do não mais
"sexo frágil". No ponto mais alto dos
destaques, vale conferir a apresentação
do documentário "Maria Bethânia -
Música é perfume", no domingo, dia
11.
-
- O canal que mais
dedica espaço em sua programação
para homenagear a mulher é o GNT. Durante todo
o mês de março, a emissora a cabo
programou atrações com o tema.
Começou dia 3 com o "Alternativa saúde",
que vai homenagear mulheres que vencem desafios em
diversas atividades durante todo o mês.
...
- O programa
dá ainda dicas de exercícios para
melhorar a qualidade de vida e lista os efeitos
produzidos pelo chocolate no organismo. As
comemorações prosseguem até o dia
25, com destaque para o "Superbonita" do dia 16, com
dicas de beleza, e para a exibição do
documentário "Maria Bethânia -
Música é perfume". Dirigido pelo
francês Georges Gachot, o filme mostra os
ensaios, cenas de shows e depoimentos de amigos,
familiares e da própria cantora, apontada como
a maior voz da MPB.
-
- ©
JCNET, 10.3.2007
- online--->
- Filme
no GNT (TV Globosat) mostra Maria Bethânia como
a voz do Brasil
- Folhapress
- O
documentário sobre Maria Bethânia que o
GNT exibe amanhã, às 19h, se chama
"Música É Perfume", por causa de uma
frase da cantora, mas poderia se chamar "A Voz do
Brasil" ou algo similar. O diretor francês
Georges Gachot procura traçar um paralelo entre
o que Bethânia canta ou diz e o que este
País é ou poderia ser. Na opinião
de Chico Buarque, Bethânia encarnaria "essa
idéia do país
possível".
-
- Gachot
não tem a pretensão de nos impor a tese,
mas a indica ao alternar depoimentos da cantora com
imagens dos contrastes do Rio e de Santo Amaro da
Purificação - a cidade baiana onde
Bethânia nasceu. O olhar do diretor não
é de denúncia, mas de curiosidade,
até de espanto. Para nós, acostumados a
elas, muitas das imagens não impressionam mais,
mas deviam, porque servem de espelho.
-
- Bethânia
pontua o documentário como narradora informal,
exaltando a musicalidade brasileira, o papel
fundamental do negro, a nossa "tristeza que
balança". Não há
informações didáticas sobre a
carreira de Bethânia, mas são mostrados
os bastidores de seu trabalho, seja no show
"Brasileirinho" ou nas gravações do CD
"Que Falta Você Me Faz". Melhor assim. Pode-se
ver e ouvir uma outra cantora, um outro
olhar.
-
- © O Tempo,
7.8.
2006,
Daniel Barbosa
- O canto de uma deusa
brasileira
- Online--->
- Depois de cumprir
carreira nos cinemas do Brasil e do mundo, chegas
às lojas, no formato DVD, com a chancela da
gravadora Biscoito Fino, o documentário
"Música É Perfume", pelo qual o diretor
francês Georges Gachot focaliza o processo
criativo de Maria Bethânia ao longo da
turnê do disco "Brasileirinho" e das
gravações do CD "Que Falta Você me
Faz", em que a cantora presta tributo a Vinicius de
Moraes.
- Mais do que mostrar
Bethânia no palco, no estúdio ou sendo
entrevistada em diversas locações
&endash; inclusive sua cidade natal, Santo Amaro, na
Bahia &endash;, "Música É Perfume"
contextualiza e identifica a arte da cantora com a
própria essência do ser
brasileiro.
- Tal intento
é alcançado através de imagens
das praias cariocas, do cotidiano dos habitantes das
metrópoles e do interior que intercalam os
momentos em que Bethânia, responsável por
conduzir a narrativa, canta ou fala para a
câmara de Gachot.
- O que se percebe
é que o olhar estrangeiro do diretor
está impresso em cada imagem. Ao ouvir
Bethânia cantando, seja no estúdio,
ensaiando com os músicos, seja no palco,
compreende- se imediatamente o que ela diz logo nos
primeiros minutos do documentário: que, desde
muito nova, já sabia que seria
artista.
- "Música
É Perfume" revela uma cantora que é a
própria música, o próprio canto,
em tempo integral. A altivez que Bethânia
demonstra no palco está longe de ser mero
recurso cênico, é sua
essência.
- Mesmo quando
conversa descontraidamente com o diretor, com os
músicos ou amigos, quando sorri ou conta casos
engraçados, mesmo nesses momentos ela
está impregnada da nobreza que esbanja nos
shows.
- Jaime Além,
que há anos a acompanha na
condição de maestro, músico e
diretor artístico, fala, numa determinada
passagem, de um magnetismo que não se
explica.
- Ao mesmo tempo,
"Música É Perfume" revela a simplicidade
de Bethânia, uma artista sem qualquer
traço de afetação, mas que
é categórica ao dizer que exige respeito
quando sobe no palco.
- E quando diz
isso, vê-se que ela não está
pensando em si, mas na música que ela leva para
aquele espaço que considera sagrado. E por
falar em música, o roteiro de
canções que costura o
documentário é, como se pode supor,
irrepreensível.
- Concentrado no
repertório de "Brasileirinho" e "Que Falta
Você me Faz", ele passa por
canções como "Gente Humilde", "Samba da
Benção", "O Que Tinha de Ser", "Mulher
Sempre Mulher", "Iaiá Massemba" e outras
pérolas. "Música É Perfume"
é para se ver e rever à
larga.
-
- © Santa
Cruz do Sul, 09
de junho de 2006,
Mauro Ulrich
- Online--->
- Pdf--->
- Amigos traz
Bethânia
- A
Associação dos Amigos do Cinema de Santa
Cruz do Sul está em festa. E não
é para menos. Afinal de contas, a entidade se
mantém na ativa há seis anos, com suas
próprias forças, e é uma das mais
significativas militantes culturais da região.
A prova disso é que hoje, às 21 horas,
na Sala 3 do Cine Santa Cruz, fará a sua
projeção de número 300. Para
comemorar, quem ganha o presente são os
cinéfilos e associados: Maria Bethânia
&endash; música é perfume, de Geoges
Gachot.
- Trata-se de um
documentário de 82 minutos realizado no ano
passado, e que já rodou mundo, participando de
alguns dos principais festivais de sua categoria. Com
isso, foi alvo de atenção e mereceu
crítica elogiosa e algumas das melhores
publicações do gênero. No Brasil,
para um de nossos críticos mais competentes, o
gaúcho Luís Carlos Merten, de O Estado
de São Paulo, Música é perfume
não é um documentário
convencional. "Mais interessado no processo criativo e
nas interpretações da cantora do que em
rememorar datas e episódios, Gachot desenha um
retrato musical que chega a surpreender pelo grau de
proximidade que estabelece com Bethânia-artista
sempre muito ciosa de sua intimidade."
- A própria
cantora aprovou. "Pensei que não havia novidade
para fazer outro filme, mas achei que o Gachot tinha
um olhar diferente e queria se aprofundar mais no meu
gosto musical." De fato. É uma faceta madura e
calejada que é levada ao cinema. Mas o diretor
não se atém aos fatos. Ele prefere se
manter como testemunha impacial da
produção atual de Bethânia.
Não há uma retrospectiva
histórica, nem grandes análises sobre a
sua carreira. O diretor se esforça em integrar
a intérprete ao povo comum, fazendo ao fundo um
retrato da relação dos brasileiros com a
música no cotidiano &endash; da dona de casa
cantarolando no ônibus do subúrbio ao
mendigo que batuca no chão da sarjeta.
-
- © O'Povo,
5.5.2006
Camila
Vieira da Redação
- online--->
- Maria de alma e
cheiro
- Em entrevista ao
Vida & Arte, o cineasta francês Georges
Gachot fala sobre seu documentário Maria
Bethânia - Música é Perfume, que
estréia hoje em Fortaleza. Além de
abordar o processo criativo da intérprete, o
longa-metragem procura mapear o contexto
histórico da música popular
brasileira
- MARIA
Bethânia, cantora brasileira é tema do
documentário Maria Bethânia -
Música é Perfume, dirigido pelo
documentarista francês Georges
Gachot
- Por 15 anos, o
cineasta francês - radicado na
Suíça - Georges Gachot filmava
documentários sobre música
clássica. Quando viu Maria Bethânia no
palco do Festival de Jazz de Montreux, Gachot decidiu
que a cantora brasileira seria a principal personagem
de seu mais recente longa-metragem: Maria
Bethânia - Música é Perfume. De
1998 a 2003, o documentarista dedicou-se à
pesquisa não só sobre Bethânia,
mas sobre a música brasileira. Para convencer a
intérprete a participar do filme, Gachot enviou
à cantora uma cópia do seu
documentário Conversas Noturnas, sobre a
pianista argentina Martha Argerich - amiga do
brasileiro Nelson Freire.
- Produzido pelo
canal francês ARTE, Maria Bethânia -
Música é Perfume aborda o processo
criativo da cantora, fazendo um paralelo com as
transformações sociais ocorridas no
Brasil. O documentário registra as
gravações do álbum Brasileirinho,
bem como os shows de Bethânia, além de
colher depoimentos de Chico Buarque, Gilberto Gil,
Nana Caymmi, Miúcha, do diretor musical Jaime
Alem e de dona Canô Veloso, mãe de
Bethânia. "Não é um filme sobre
uma cantora brasileira famosa, mas uma visão
sobre uma artista única e uma busca sobre a
origem da inspiração e da energia que
deram luz a isso", afirma Gachot. Em entrevista por
e-mail ao Vida & Arte, Georges Gachot conta como
foi seu primeiro encontro com Maria Bethânia,
fala sobre a pluralidade da música brasileira e
comenta sobre o processo de produção do
documentário.
-
- O POVO - Como
surgiu a idéia de fazer o
documentário?
- Georges Gachot -
Minha vida é música e minhas
visões musicais nos filmes. A música me
levou à carreira cinematográfica em
1989. Durante 15 anos, rodei filmes apenas sobre
música clássica e, certo dia, em 1996,
um amigo me levou a um concerto da Maria
Bethânia no Festival de Jazz de Montreux (na
Suíça). Este concerto foi uma
revelação para mim, porque não
tinha qualquer relação com o Brasil ou
sequer conhecia a música brasileira. Fiquei
bastante impressionado pela Bethânia como
artista, sua dramaturgia no palco, seu riso e sua
generosidade, seu repertório e, sobretudo, sua
musicalidade. Foi também a primeira vez que
fiquei no meio do público, do povo brasileiro
que estava cantando e quase respirando a artista no
palco. Lembro também que a estrutura das
melodias de cada música que ela cantava me
agradou muito. Havia intervalos que levavam a melodia
a algum lugar que eu nunca escutei antes e nunca
acabava no kitsch.
-
- OP - Entre tantas
boas cantoras brasileiras, por que escolheu Maria
Bethânia?
- Gachot - Mesmo que
hoje eu conheça mais sobre a música
brasileira e ame, é claro, outras
intérpretes brasileiras, a arte de
Bethânia é muito próxima a mim.
Sei que nunca confundo com meus sentimentos musicais e
tenho este dom de ser capaz de voltar às minhas
primeiras impressões ou sentimentos. Hoje
quando escuto o CD Maria Bethânia - Ao Vivo,
ainda recordo deste concerto de 1996 em Montreux. De
alguma forma, a Bethânia me deu "a luz" à
música brasileira. Não dá para
esquecer isso. Sei sobre sua carreira e tenho
vários CDs dela, mas não todos.
Não sou especialista da carreira nem da vida de
Maria Bethânia. Todos os dias aprendo mais sobre
ela, que ainda me surpreende. Não gosto de
brincar o jogo dos famosos. É mais importante
se perguntar por qual motivo gosta de algo e
não porque todo mundo diz o quanto é
legal. Maria Bethânia - Música é
Perfume não é um filme sobre uma cantora
brasileira famosa, mas uma visão sobre uma
artista única e uma busca sobre a origem da
inspiração e da energia que deram luz a
isso. Fiz honestamente, porque em um filme musical
como esse, você não pode esconder e o
público sentiria o seu jogo. Este filme tocou
inclusive muitas pessoas que não conheciam
Maria Bethânia. Isso me deixou muito
feliz.
-
- OP - Ao analisar
sua filmografia, constatamos que sua especialidade
é filmar documentários sobre
música clássica. O que você
encontrou na música popular brasileira que lhe
instigou?
- Gachot - Riqueza e
mente aberta. Inclusive esse é o segundo
significado do título do filme: Música
é Perfume. Quer dizer que a música
brasileira está em permanente desenvolvimento e
se mistura com outros estilos musicais de qualquer
lugar. Todos os dias encontro influências da
música clássica. Só aqui os CDs
de Tom Jobim ou Amoroso, de João Gilberto. A
música clássica hoje pode aprender muito
com a música brasileira. Às vezes, sonho
com Mozart chegando ao Brasil e compondo uma
ópera em português. Ou você
consegue imaginar o que aconteceria se Schumann ou
Bach conhecessem a Bossa Nova?
-
- OP - Quando
você encontrou Maria Bethânia pela
primeira vez?
- Gachot - Em Lisboa,
nos encontramos pela primeira vez e eu nem falava
português. Gosto de dizer que eu e a
Bethânia nos comunicávamos por
inteligência musical. Não precisamos de
um tradutor para compreender um ao outro. Depois de 30
minutos, ela me levou para escutar a versão
não mixada do álbum Brasileirinho. Dois
meses depois, eu viajei até o Rio de Janeiro
para a primeira filmagem.
-
- OP - Como foi o
processo de seleção dos entrevistados do
documentário?
- Gachot - É
claro que fiz todas as entrevistas sozinho. Para
tanto, usei um tradutor no set. Mas devo dizer que
nunca faço entrevistas do tipo "perguntas e
respostas". Prefiro discutir livremente e nunca
preparar qualquer questão antes. Para mim, uma
entrevista filmada deve ser uma reflexão de um
momento gasto entre duas pessoas que compartilham
pensamentos, reflexões e, acima de tudo,
emoções comuns. Gosto de dizer que
prefiro emoção que
informação. Ou se a emoção
é algo informativo, deve ser o mais forte,
porque vem de uma relação
humana.
-
- OP - Que
dificuldades aconteceram durante o processo de
produção do filme?
- Gachot - Esqueci
todas as dificuldades que aconteceram, porque fazer
esse filme trouxe-me tanta felicidade. Para mim, as
dificuldades foram mais morais: quando você sabe
que precisa criar um filme sobre uma das grandes
cantoras que já conheceu. Sempre espero que
tenha alcançado o patamar da arte de
Bethânia.
-
- OP - Para
finalizar, qual sua cena dileta no filme?
- Gachot - A
música Estrela do Mar é a cena chave
deste filme. Em primeiro lugar, por causa desta
maravilhosa canção (música e
texto), que consegui transportar como um momento
musical forte para a edição e para a
mixagem de som. A transição de
diferentes lugares funcionou perfeitamente e aquele
momento no filme... O observador não deve saber
se está no céu ou ainda na terra. Por
muito tempo, pensei em dar o título do filme de
Estrela do Mar.
-
- © Folha
Online,
6.1.2006
Ricardo
Feltrin
- Editor-chefe
da Folha Online
- Online--->
- Maria
Bethânia - Música é Perfume -
Excelente documentário sobre a estrela da MPB.
Esmiuça sua personalidade, seu carisma e seu
processo de interpretação e
criação. Há depoimentos
divertidos e emocionantes sobre Bethânia.
É uma imperdível incursão na vida
dessa grande artista. Para quem gosta de
Bethânia. Ou de música,
simplesmente.
-
- © O'Globo,
27.12.2005
- Viva
Bethânia!
- O cinema e a MPB
estão em fase de cumplicidade total. Depois do
sucesso de "Vinicius", de Miguel Farias Jr, chegou a
vez do excelente "Maria Bethânia: música
é perfume", de Georges Gachot, deslumbrar as
salas do Rio. O filme tem sido aplaudido,
merecidamente, em todas as sessões.
-
- © Folha de
Sao Paolo
23.12.2005
Carlos
Calado
- Franco-suíço
registrou ensaios, gravações e
depoimentos; cantora pediu corte de cenas
"íntimas" da primeira
versão
- Dramaticidade de
Bethânia volta às
telas
- Em fase de intensa
produção, a cantora Maria Bethânia
encerra o ano nas telas do cinema. Após
lançar um CD dedicado à obra de Vinicius
de Moraes e excursionar com o show "Tempo Tempo Tempo
Tempo", cujo DVD acaba de chegar ao mercado, ela
protagoniza o documentário "Maria
Bethânia: Música É Perfume", do
franco-suíço Georges Gachot, que entra
hoje em cartaz.
- Bethânia
admite que resistiu a aceitar esse projeto. "Acho que
muita coisa já foi feita sobre meu trabalho.
Sou uma intérprete. Não sou compositora,
não tenho uma obra. Acho que isso não
é tanto assim para tantos
documentários", diz, referindo-se a "Maria
Bethânia Bem de Perto", curta-metragem que Julio
Bressane fez em 1966, e "Maria Bethânia do
Brasil", produção para a TV francesa
dirigida por Hugo Santiago, em 2001.
- "Pensei que
não havia novidade para fazer outro filme, mas
achei que o Gachot tinha um olhar diferente e queria
se aprofundar mais no meu gosto musical",
justifica a cantora. Até se encantar por
Bethânia, no festival de Montreux
(Suíça), o cineasta tinha feito
documentários somente com astros da
música erudita.
- Bethânia
permitiu que Gachot filmasse seu show "Brasileirinho"
(em 2004), no Rio de Janeiro e em Santo Amaro da
Purificação (BA), onde nasceu. O
cineasta também registrou ensaios e
gravações, além de depoimentos de
pessoas íntimas da cantora, como o irmão
Caetano Veloso, a mãe, Dona Canô, e os
compositores Gilberto Gil e Chico Buarque.
- "Ficamos amigos",
diz Bethânia, que, ao ver a primeira
versão do filme, pediu a Gachot que cortasse
uma cena registrada em seu camarim, após o show
de gravação do DVD "Brasileirinho", com
participações de Nana Caymmi e
Miúcha. "Estávamos muito contentes e
queríamos comemorar", diz, argumentando
não ter percebido que haviam sido
filmadas.
- Em outra cena que a
incomodou, Bethânia canta "Melodia Sentimental"
(de Villa-Lobos), em sua casa, bastante emocionada.
Por achá-la longa demais, pediu a Gachot que a
reduzisse. O cineasta relutou em fazer essas
alterações, mas acabou
aceitando.
- "É apenas
uma questão de gosto. Não houve nenhum
desagravo entre nós. Achei o filme muito
bonito, mas discordei de algumas cenas", diz
Bethânia, enfatizando que não gosta de
ver sua intimidade exposta. "Minha intimidade é
até bonitinha e eu não teria problema em
mostrá-la. Não mostro porque acho que
isso não interessa a ninguém. O que
interessa é o que o artista faz."
- Já as cenas
que revelam como a cantora interfere ativamente nos
arranjos de seus discos não a incomodam. "Eu me
meto em tudo. Depois de 40 anos de carreira, é
bom que isso apareça para desmistificar uma
porção de lendas, como a de que eu brigo
quando estou cantando. Eu brigo até na frente
de todo mundo, mas brigo para guiar",
afirma.
- Outra
evidência da forte personalidade de
Bethânia, abordada no filme, é a maneira
como se apropria das canções que
interpreta. Quando não gosta de algo em uma
canção, a intérprete chega a
pedir ao compositor que a modifique. "Para eu cantar
uma música, ela tem que virar minha. Chico
Buarque brinca com isso. Ele diz que manda uma
canção para mim e recebe duas de volta",
comenta, rindo.
- Com o mesmo bom
humor, a cantora discute um comentário do
irmão, incluído no filme. "Ela precisava
ser dramática", observa Caetano, argumentando
que, por pertencer à geração
posterior à sua, Bethânia jamais se
identificou com o jeito "cool" de cantar da bossa
nova.
- "Aquela coisa muito
esfriada da bossa nova nunca me tocou, mas eu
não acho João Gilberto frio. Pelo
contrário, acho que ele é tão ou
mais dramático do que eu", retruca
Bethânia, rindo.
- E, para quem a
vê hoje mais serena no palco do que nas
primeiras décadas de sua carreira, ela
responde: "Acho que estou cada vez mais
dramática, só que aprendi a usar essa
dramaticidade. Consigo ser tão ou mais
dramática, quase trágica, mas de uma
maneira diferente de expressar isso. O tempo e a vida
vão educando".
-
- Filme revela
processo criativo da intérprete
- "Maria
Bethânia - Música É Perfume"
não é um documentário
convencional. Mais interessado no processo criativo e
nas interpretações da cantora do que em
rememorar datas e episódios, o diretor Georges
Gachot desenha um retrato musical que chega a
surpreender pelo grau de proximidade que estabelece
com Bethânia -artista sempre muito ciosa de sua
intimidade.
- Com sensibilidade,
Gachot consegue captar o fascínio que as
canções exercem sobre ela. "A
música, pra gente, é o pão, vem
em primeiro lugar", diz Bethânia, depois de ser
mostrada no ato da criação, projetando
com os músicos de sua banda o arranjo da
emotiva "Bom Dia, Tristeza" (de Adoniran Barbosa e
Vinícius de Moraes).
- Por outro lado, o
filme também revela o olhar de um cineasta
estrangeiro fascinado não só pela voz e
pelo carisma da intérprete brasileira, mas
também pelo exotismo de seu país. As
primeiras cenas são sintomáticas:
cantando "Gente Humilde" (de Garoto, Vinícius e
Chico Buarque), em "off", Bethânia fornece a
trilha sonora para uma seqüência de belas
imagens noturnas de pessoas simples, perambulando por
praias do Rio de Janeiro.
- O foco não
está na vida ou na trajetória musical de
Bethânia e sim na emoção que ela
transmite em suas interpretações.
Não é à toa que o cineasta fez
questão de manter no documentário,
apesar das objeções da cantora, parte da
cena em que a flagrou, quase em êxtase, cantando
Villa-Lobos.
-
- © Estado de
sao Paolo 23.12.2006
Luis
Zanin Oricchio
- Para
Bethânia, arte é uma porta para o
sagrado
- Se você
não soubesse do nome do diretor de
Bethânia - Música É Perfume
poderia pensar que se trata de um brasileiro nato,
tamanha a intimidade e o seu encanto com a arte da
cantora. Mas depois a gente se lembra de como os
europeus se interessam pela música brasileira
(lembram de Pierre Barouh, Henri Salvador, Michel
Legrand?) e acha a coisa mais natural do mundo que o
franco-suíço Georges Gachot tenha feito
um filme tão belo e amoroso sobre A brasileira
Maria Bethânia.
- Bethânia
justifica todo esse encanto. Quem já a viu
sobre um palco sabe do que é capaz. Sabe do
clima de magia que ela consegue impor, transformando
um mero show musical em uma cerimônia, algo
próximo do sagrado. Não interessa que
haja gente de maus bofes para fazer
restrições ao repertório,
à qualidade vocal, ao hábito de recitar
poemas em cena. Esse tipo de pessoa se apega a
detalhes e esquece o essencial. Falando deles, Augusto
de Campos dizia que são críticos que
não iluminam e nem se deixam iluminar. Enfim,
não gostam de arte - gostam de falar mal da
arte, o que é uma paixão de ordem muito
diferente.
- Mas enfim, o que se
vê neste documentário testemunha a
compreensão que Gachot obteve do trabalho de
Maria Bethânia e de suas fontes de
inspiração. De um lado, o seu profundo
enraizamento em sua Santo Amaro da
Purificação, por isso algumas cenas
têm de ser feitas lá, no Recôncavo
Baiano, inclusive com a mãe, Dona Canô.
Por outro, a tensão contrária, que a
leva a sair de Santo Amaro, ir a Salvador, ao Rio, ao
mundo. Esse projeto que procura contemplar o local e o
internacional é comum a todo o grupo baiano, do
qual ela fazia parte ainda nos anos 60. Recentemente,
outro membro daquela turma, o ministro da Cultura
Gilberto Gil, usou a expressão
"glocalização" para expressar esse
desejo íntimo da Tropicália: somar o
local com o global.
- Projeto mais
fácil de levar quando se exerce uma arte como a
música, que pode ser lida, sentida e
fruída em qualquer idioma, como Gachot sentiu e
por isso tentou compreender. Assim Maria
Bethânia - Música É Perfume
é, também, um documentário sobre
o processo de criação, que tenta
informar mas também entender por qual
conjunção de fatores aquela pessoa
é tão boa naquilo que faz. E isso
significa entender o sentido da música para
Bethânia. Mais do que por palavras, é por
seu próprio relacionamento com sua arte, que se
fica sabendo que, para ela, a música é
uma porta para o sagrado. Ela nos deixa entrever uma
fresta dessa passagem, a cada vez que pisa um palco
para cantar.
-
- ©
cineclick.com.br 23.12.2005
, Celso
Sabadin
- MARIA BETHÂNIA:
MÚSICA É PERFUME
- Confesso que
não sou fã de Maria Bethânia e fui
ver o documentário Maria Bethânia:
Música é Perfume por
obrigação profissional. Tinha certeza
que não iria gostar do filme e achei até
prematuro que a famosa cantora - que ainda tem muita
lenha pra queimar - já fosse terma de um filme
sobre sua vida. Felizmente, enganei-me
redondamente.
- Com talento e
sensibilidade, o diretor, roteirista e músico
francês Georges Gachot conseguiu captar
não apenas o processo criativo/ produtivo, como
também a própria alma da famosa
irmã de Caetano Veloso. Na medida em que
entremeia belas tomadas externas com sinceros
depoimentos de personalidades (Chico Buarque, Nana
Caymmi, Caetano), o filme vai lentamente ganhando a
atenção e o coração do
espectador, que, aos poucos fica conhecendo o lado
exigente e profissional da cantora. Com ternura. Entre
os belos momentos, destaque para os olhos vermelhos de
Caetano, que começa a relembrar a mocidade ao
lado da irmã, emociona-se, cala-se e não
completa o pensamento com palavras, mas sim com um
sorriso. E o humor fica por conta de Gilberto Gil, que
aparece em apenas dois momento, falando dois
parágrafos. Ambos totalmente sem sentido, como
quase tudo o que Gil fala.
- Mesmo trazendo
cenas de Santo Amaro da Purificação -
cidade natal de Bethânia - e depoimentos de sua
mãe, o filme não se propõe a ser
uma biografia no sentido tradicional. Antes disso,
preocupa-se com a emoção da
criação, com a música em seu
estado mais puro.
- Quem diria.
Saí do cinema fã de
Bethânia.
-
- © Estadao
do Sao Paulo, 22.10.2005
Luiz Carlos Merten
- Documents
PDF--->
- Documentarista
decifra o mistério de MARIA
BETHÂNIA
- Georges Gachot
explica como a convenceu a fazer Música
é Perfume
- Georges Gachot
até hoje agradeco ao amigo que o levou para ver
um show de Maria Bethânia. Ele nao entendia uma
palavra do que ela dizia, mas ficou magnetizado pela
figura da cantora-"Uma atriz", ele define-, com aquela
movimentoaçao cênicas. Os pés
descalços, as paradas bruscas, o canto, os
textos declamados, tudo o deixou
maluco.Imediatamtente, teve o desejo-"Um impulso"- de
fazer um filme para entender o processo criativo
daquela muhler tao especial. E fez Maria
Bethânia,-Música É Perfume, uma
das atraçoes de hoje da Mostra.
-
- Gachot contou tudo
isso ao reporter durante o Festival do Rio, no qual
veio mostrar seu filme que terminou adquirido para
distribuiçao no País. Maria
Bethânia - Música É Perfume
é uma das atrações deste
sábado da Mostra. Georges Gachot mostrou seu
filme no recente Festival do Rio. Documentarista de TV
na Suíça, Gachot fez muitos filmes sobre
os grandes compositores da música erudita.
Música É Perfume assinala sua
aproximação da música
popular.
-
- Como chegou a
Bethânia? "Enviei para ela uma cópia do
meu filme sobre Martha Argerich. Ela adorou."O outro
documentário, Conversas Noturnas, também
está na Mostra. Trata do rpcesso criativo da
grande pianista, parceira de Nelson Freire em tantos
recitais. Sim Georges Gachot assistiu ao
documentário de Joao Moreira Salles. Nao gostou
e, até reservadamente, expoe suas restricoes ao
repórter, mas pede que nao sejam publicadas.
"Nao quero ser deselegante."
-
- Maria
Bethânia nao abriu apenas sua casa o
coraçao para a câmera de Gachot. Abriu
também seu estúdio, permitindo que ele
fizesse aquilo a que se propunha- documentar como cria
uma grande artista. No processo, o diretor acha que
conseguiu mapear uma história da
evoluçao da MPB. Ele ama a música
brasileira. É fa de carteirinha da bossa nova.
Tem outro projeto sobre música, no Brasil, que
promete revelar só na volta ao País.
"Vai ser muito interessante", promete.
-
- Para o diretor,
seus documentários nao sao musicais, mas sobre
música. E ele esclarece- "Crio
impressões musicais, o que me permite, ao mesmo
tempo, ser pessoal e universal. Falo sobre os
artistas, espero que sem didatismo, e me projeto no
trabalho deles para construir a minha linguagem, que
é a do cinema." Gachot reinventa Tolstoi -
"A arte só é universal quando nasce de
dentro." Ser artista é lançar pontes.
Como Maria Bethânia faz.
-
- ©
Estadao do Sao Paulo,
28.09.2005
Luiz
Carlos Merten
- Online-->
- O evento segue seu
curso. Uma das 23 mostras que integram o verdadeiro
caleidoscópio que é a
programação do festival leva o sugestivo
nome de Brasil com Z. Foi uma sacada da diretora de
programação Ilda Santiago, que percebeu
o elo unindo diversos filmes - eles revelam o olhar
estrangeiro sobre o País. Um dos títulos
mais interessantes dessa programação
é Maria Bethânia - Música é
Perfume, do francês Georges Gachot.
-
- Bethânia
é outra que tem cadeira cativa neste festival.
Está nos documentários Vinicius de
Morais e O Sol - Caminhando contra o Vento, de Miguel
Faria Jr. e Tetê Moraes e Martha Alencar. Volta
em Música É Perfume, guiando a viagem do
diretor pela MPB. O próprio Gachot define
Bethânia como "ícone da contracultura que
virou rainha da balada romântica". Permitindo
que o cineasta entrasse na intimidade do seu trabalho,
ela é a estrela-guia de uma viagem que
não é só musical, mas
também reflete a evolução da
sociedade brasileira nas últimas
décadas.
-
- Caetano, Chico,
Gil, Nana Caymmi, Miúcha. Todos cercam a
rainha, que possui aquele domínio de cena.
Betânia é magnética e natural. A
música É Perfume poderia ter outro
título, Bethânia
Paixão
-
- © O Globo,
26.09.2005
Leonardo Lichote
- Document
PDF--->
- Documentário
'Maria Bethânia: música é
perfume', mostra o Brasil na voz da
cantora
- RIO - Nas imagens
iniciais, o mar estoura em ondas na areia de
Copacabana, cenário para o desfile dos tipos
locais. O gari começa o dia catando o lixo dos
banhistas, o vendedor de cervejas aguarda novos
fregueses. No fundo, uma voz explica um Brasil (entre
muitos), com o poema ''Pátria minha'', e um
povo brasileiro (entre muitos), com a
canção ''Gente humilde''. O motivo do
filme, porém, não é o país
- é a voz. Ou seria mesmo o contrário?
Talvez nem um nem outro, talvez os dois. ''Maria
Bethânia: música é perfume'' - com
exibição de gala no Festival do Rio
hoje, às 21h30, no Espaço Unibanco 1,
com a presença do diretor Georges Gachot -
é sobre uma voz que é um país, um
país que é uma voz: ''Bethânia
lembra um pouco a idéia de um país
possível, algo que está perdido, mas
está por aí'', define Chico Buarque a
certa altura do documentário, comentando o show
''Brasileirinho''.
-
- Se Bethânia
materializa um país possível - perante o
qual todos nós nos maravilhamos como
estrangeiros - o suíço Gachot se
aproximou dessa terra como duplamente estranho.
Além da distância física por estar
do outro lado do Atlântico, ele não
conhecia nada de música brasileira e nem da
cantora quando, levado por um amigo, foi assistir a um
show dela em Montreux, em 1998. Saiu de lá
certo de que faria um filme sobre a
artista.
-
- - Foi um choque
cultural - conta ele, na beira da piscina de um hotel
no Leme, o mar de Copacabana no horizonte. - E o
choque não foi só pela voz única
de Bethânia, a maneira como ela entra no palco,
quase voando, sem os sapatos, o seu cabelo... Foi
também pela musicalidade. Cada parte dos
arranjos, o repertório, como ela ia de uma
música a outra.
-
- Gachot veio
três vezes ao Brasil para filmar. Pisou em
terras brasileiras num dia e no outro já estava
no estúdio com Bethânia, iniciando um
total de nove semanas de gravação. Para
Gachot, sua condição de "duplamente
estrangeiro" foi fundamental para a existência
do filme.
-
- - Acredito que
Bethânia concordou em fazer este filme porque eu
não era brasileiro. Eu cheguei para ela como
uma criança, entende? Perguntando coisas.
Bethânia foi minha professora. Ela me ensinou o
Brasil - diz, retornando à idéia do
país. - Acredito que ela tenha falado de forma
mais aberta porque eu não tinha nenhum
conhecimento a priori, não tinha idéias
pré-concebidas. Eu não sabia nada! Nas
entrevistas, Bethânia começava a falar em
Chico, Caetano e eu dizia: "não sei nada sobre
música brasileira, por favor me explique"
(risos).
-
- A professora de
Brasil explicava. E, mais tarde, aprovou o aluno com
louvor.
-
- - Ela ficou muito
feliz com o filme. Enquanto via, chorava e dizia:
"arrebentou, arrebentou" - lembra o
diretor.
-
- Em ''Música
é perfume'', Bethânia fala o mesmo
''arrebentou'' repetidas vezes ao ouvir o
violão de Marcel Baden Powell em ''Samba da
Benção'', parceria de seu pai, Baden,
com Vinicius de Moraes. O filme foi feito durante as
gravações de ''Que falta você me
faz'', CD da cantora dedicado à obra do poeta,
e também ao longo da turnê de
''Brasileirinho'', com shows no Canecão e na
Concha Acústica de Salvador. Há
também imagens de Bethânia em Santo
Amaro, em família, entrevistas nas quais ela
reflete sobre seu ofício (''adoro cantar na
solidão do estúdio'') e conta
curiosidades familiares (''Eu e Caetano
adorávamos brincar de faquir quando
crianças''). A mãe Dona Canô, o
irmão Caetano Veloso e amigos como Gilberto
Gil, Chico Buarque e Nana Caymmi também
falam.
-
- A ida à
cidade natal de Bethânia é uma forma de
resgatar parte de sua história, mas Gachot
não procurou esgotá-la no
filme:
-
- - Meu objetivo com
o filme era pôr na tela a grandeza da
música de Bethânia. Não quis que a
história quebrasse a música. Quando as
canções me davam a oportunidade, eu
contava a história - disse, explicando que o
fato de o filme ter sido feito com apenas uma
câmera ajudou nesse sentido: - Por isso que o
filme é muito claro. Eu não gosto de
registros de shows nos quais você vê a
cantora, depois o pianista, o percussionista. Da forma
como fizemos, você entra mais na música.
Gastamos oito meses editando as 80 horas de material
para fazer o filme fluir em seus 82
minutos.
-
- Para o diretor, o
mais importante era registrar de onde vinha a
música de Bethânia. Por isso os ensaios,
nos quais se revela uma cantora que tem completo
domínio de seu trabalho, interferindo em cada
arranjo. A relação, tensa e doce, da
cantora com seu maestro e arranjador Jaime Alem
é um capítulo à parte.
Também para mostrar de onde vem a música
de Bethânia, há tantas imagens de pessoas
humildes, anônimas - arquétipos de
brasileirinhos.
-
- - Ela canta para
eles e sua música vem deles. É um
reflexo - diz, mais uma vez tentando desvendar o
Brasil de Bethânia
-
- Gachot tem
experiência com documentários sobre
música clássica, dedicado a artistas
como a pianista argentina Martha Argerich e o
compositor Claude Debussy. "Música e perfume"
é o primeiro dedicado à música
popular. Não que faça diferença
para o diretor.
-
- - Faço
filmes apenas sobre a música que amo. Um
jornalista me disse que, se você comparar o
filme da Bethânia com o de Martha Argerich,
verá que eles são muito próximos.
Basta trocar Mozart e Chopin por compositores
brasileiros, como Caetano Veloso, Chico Buarque,
Dorival Caymmi. E é isso mesmo - explica. - Uma
vez eu disse à Bethânia: "Nós
temos que ouvir toda manhã um pouco de Bach, e
de tarde, um pouco de Bethânia". Ela gostou
disso.
-
- A metáfora
"música é perfume" é da
própria Bethânia. Segundo ela, "nada como
um cheiro ou uma música para nos fazer sentir,
viver, lembrar". Ela confirma suas palavras nos
minutos finais do filme, depois de ouvir sua
própria interpretação de "Melodia
sentimental" e ficar profundamente emocionada.
Vaidade? Ela explica:
-
- - A voz mora em
mim, mas não sinto como se fosse minha.
É uma expressão de Deus. Uma fagulha,
uma bobagem de Deus.
-
- Deus
arrebentou.
-
- © Jornal do
Brasil 29.09.2005,
Heloisa
Tolipan
- Bethânia
para todos
- Diretor de Maria
Bethânia: música é perfume, o
francês Georges Gachot aportou ontem à
tarde, no Estação Ipanema 1, para a
primeira sessão do documentário, na
programação do Festival do Rio.
E-du-ca-dís-si-mo, fez questão de uma
breve apresentação na nossa
língua: ''Desculpe-me ler, mas não
queria perder a oportunidade de expressar tudo o que
senti realizando este filme'', disse Gachot,
justificando a cola. Foi aplaudidíssimo quando,
ao final, comentou que Bethânia foi o seu Pedro
Álvares Cabral, concluindo: ''Espero que, com
este filme, o mundo conheça a maravilha
cultural deste país''. Maria Bethânia:
música é perfume é comovente e
traça sem pretensões o perfil de uma das
nossa maiores intérpretes, que é capaz
de dizer abertamente, com todas as letras ''Eu odeio o
pôr do sol. Essa coisa meio barro, meio
tijolo''. Querem mais autenticidade?
-
- © RUI
MARTINS
- LOCARNO MOSTRA
MARIA BETHANIA
- Este ano, o
Festival Internacional de Cinema de Locarno
começa um dia antes. Embora sua data oficial
seja do dia 3 ao 13, na cidade suíça
ticinesa de Locarno, o festival começa
praticamente na noite da terça, 2 de agosto,
com a projeção do filme Maria Bethania,
Música e Perfume, do franco-suíço
Georges Gachot no telão dos quase 300 metros
quadrados, da Piazza Grande.
-
- Minha voz " uma
centelha divina que brota em mim" diz a cantora no
filme dedicado inteiramente à cultura musical
brasileira. Segundo Georges Cachot, seu realizador, a
música ocupa um lugar central no cotidiano dos
brasileiros, seja nos bailes, nas festas, no Carnaval
ou nos concertos.
-
- Esse longa-metragem
tem uma hora e meia de duração e
é também considerado como um
imersão total no mundo apaixonante e sensual do
Brasil. Concorre numa mostra paralela dedicado aos
filmes suíços.
-
- De acordo com o
jornal dessa região suíça,
Corriere del Ticino, cujo redator já pôde
ver o filme " Maria Bethania ilumina literalmente o
filme com sua presença magnética e
extremamente natural, quer esteja cantando diante de
milhares de pessoas ou contando suas lembranças
da infância com seu irmão Caetano Veloso.
Para ela, a música é um perfume, alguma
coisa essencial como o pão, imediata e sensual
e que deve poder ser apreciada por todos".
-
- Documentario
sobre Maria Bethânia no Festival de
Locarno
- Dirigido pelo
franco-suíço Georges Gachot, o
documentário "Maria Bethânia:
Música é Perfume" é exibido em
"noite especial" no Festival de Cinema de
Locarno.
-
- O longa de 82
minutos procura reconstruir os passos de Maria
Bethânia: desde a infância em Santo Amaro
da Purificação até o
lançamento dos últimos CDs. No percurso,
depoimentos de Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto
Gil, Miucha,
Nana Caymmi.
Entre as imagens, lembranças que vão
sendo rememoradas em cenas de camarim pós-show
até o aniversário de Dona Canô em
Santo Amaro.
-
- O que uma revista
suíça chama de retrato "convencional" da
artista, é salvo pela constatação
de que "a voz de Bethânia, sozinha, já
justifica qualquer tipo de reverência
cinematográfica". Reverências são
também encontradas dentro do filme por todos os
que falam de Bethânia, sem poupar elogios. "A
fricção entre o tudo e o nada. A voz de
Bethânia é isso", diz Gil.
-
- Do Rio a Santo
Amaro
- O título do
filme vem das palavras da própria: "A
música é como o perfume, nos deixando
ver, sentir, vivenciar, lembrar e refletir". Para o
público fora do Brasil , o documentário
. que antes de Locarno passou pelo festival Visions du
Réel, na França . é visto como
uma forma de olhar a cultura brasileira, ou melhor,
como uma "incursão no universo da
canção brasileira", segundo um jornal
italiano.
-
- Dando direito a
imagens clássicas do Rio de Janeiro superpostas
ao som da voz
- de Bethânia,
ao lado de entrevistas com outros músicos,
cenas da cantora
- gravando em
estúdio ou em suas duas casas no Rio e em
Salvador. Além de visitas
- às
raízes em Santo Amaro.
-
- Em uma das
seqüências, nos camarins do Canecão,
Bethânia, Miucha e Nana Caymmi, depois de um
show, relembram episódios da amizade entre as
três, numa conversa pontuada por
canções a capella. Em outra
seqüência, Caetano reconstrói a
história da família e fala do trabalho
com Bethânia.
-
- De Martha
Argerich a Maria Bethânia
- A trajetória
do franco-suíço Georges Gachot
contém vários trabalhos dedicados
a
- música.;
Entre estes está um documentário sobre a
pianista argentina Martha Argerich (cujos depoimentos
integram também Nelson Freire, de
João
- Moreira Salles .
2003). Gachot dirigiu ainda Petite histoire
symphonique racontée par Anton Dvorák
(1989) e Claude Debussy: Music can't be learnt.
(2000).
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